Marinheiro, corsário, ao mar.
Conforme a tua preferência.
Os olhos, um filete castanho
por causa da mui forte tempestade.
Estático, impassível, imponente,
desconcertante, ferrenho, combativo,
guerreiro, irascível, perseverante,
adamante, acachapante, espetacular.
Marinar, corsariar, marejar!
Conformar, perseverar!
Olhar, filetar, acastanhar!
Pôr, causar, forçar, tempestear!
Impassível como um imponente totem, nosso marinheiro enfrenta a tudo estático.
Com uma coragem desconcertante ele prova o quanto um homem pode ser ferrenho e combativo!
Nosso guerreiro do mar enfrenta a ira da natureza como o mais perseverante dos representantes da raça humana.
Assim como suas opiniões a respeito de toda e qualquer coisa, lá está ele: adamante, acachapante, proporcionando a todos nós, adoradores de estórias fantásticas, um enredo para lá de espetacular!
quarta-feira, 29 de abril de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
curtíssima
Cansou-se do nome, achava-o até mesmo constrangedor. O que é até estranho, afinal é um nome tão comum... senão , vejamos: Edson.
Sem dar maiores explicações a ninguém ele pagou a taxa de R$ 5,38 ( mais barato que a regularização de um Certificado de Pessoa Física, vejam vocês...)no cartório mais próximo à sua casa e num piscar de olhos (na verdade foi depois de quase duas horas esperando na fila) ele passou a chamar-se Carlo.
E a confusão na cabeça dos amigos, familiares e colegas de trabalho? Levou uma cara até que todos se acostumassem com o novo nome de Carlo.
Sem dar maiores explicações a ninguém ele pagou a taxa de R$ 5,38 ( mais barato que a regularização de um Certificado de Pessoa Física, vejam vocês...)no cartório mais próximo à sua casa e num piscar de olhos (na verdade foi depois de quase duas horas esperando na fila) ele passou a chamar-se Carlo.
E a confusão na cabeça dos amigos, familiares e colegas de trabalho? Levou uma cara até que todos se acostumassem com o novo nome de Carlo.
domingo, 26 de abril de 2009
www.dunya.tv
Muitos pensam que a vida aqui na Turquia é mole, ficar deitado comendo tâmaras maduras enquanto osu abanado por serviçais, mas vou logo dizendo que não é mole não. Aliás, as tâmaras maduras eu confesso que até como, e sem fazer caretas, até gosto, mas não sou abanado, e muito menos por serviçais.
Para começar, só temos uma emissora de TV e uma emissora de rádio ondas curtas, ambas estatais. Quando passa um jogo de football, por exemplo (que é um desporto do qual não gosto nem um pouco) eu vejo-me obrigado a desligar o televisor. E para isso eu tenho que ir até o telefone público na rua (telefones particulares são um privilégio apenas para as pessoas jurídicas) e pedir para que a telefonista Schooschä entre em contato com a Casa-sede do governo para que ele me dê a autorização para que eu possa desligar o aparelho. Pra ligá-lo devo fazer a mesma operação.
Uma vez ligada a TV, na hora dos comerciais ouso dizer que mais de 90% dos reclames são referentes a instituições financeiras. E como a TV é preto e branca nem assim a gente consegue ver a cor do dinheiro.
Da rádio então, menos ainda tenho para falar. Durante a maior parte do tempo tudo que eles transmitem são as mesmas canções folclóricas desde mil novecentos e vovô ainda com as duas mãos, antes de tê-las cortadas por olhar de soslaio pra uma jovem na rua. Para ouvir meus grandes ídolos locais, como Erkin Koray, Cem Karaca e Baris Manço, tenho que passar por uma verdadeira sabatina até conseguir os discos. Bandas internacionais como os Beatles e os Rolling Stones então...
Vida noturna é algo que simplesmente inexiste aqui em Ankara. Nem o bingo da cachaça a gente tem.
Assinado,
Nassif, moço bonito.
Para começar, só temos uma emissora de TV e uma emissora de rádio ondas curtas, ambas estatais. Quando passa um jogo de football, por exemplo (que é um desporto do qual não gosto nem um pouco) eu vejo-me obrigado a desligar o televisor. E para isso eu tenho que ir até o telefone público na rua (telefones particulares são um privilégio apenas para as pessoas jurídicas) e pedir para que a telefonista Schooschä entre em contato com a Casa-sede do governo para que ele me dê a autorização para que eu possa desligar o aparelho. Pra ligá-lo devo fazer a mesma operação.
Uma vez ligada a TV, na hora dos comerciais ouso dizer que mais de 90% dos reclames são referentes a instituições financeiras. E como a TV é preto e branca nem assim a gente consegue ver a cor do dinheiro.
Da rádio então, menos ainda tenho para falar. Durante a maior parte do tempo tudo que eles transmitem são as mesmas canções folclóricas desde mil novecentos e vovô ainda com as duas mãos, antes de tê-las cortadas por olhar de soslaio pra uma jovem na rua. Para ouvir meus grandes ídolos locais, como Erkin Koray, Cem Karaca e Baris Manço, tenho que passar por uma verdadeira sabatina até conseguir os discos. Bandas internacionais como os Beatles e os Rolling Stones então...
Vida noturna é algo que simplesmente inexiste aqui em Ankara. Nem o bingo da cachaça a gente tem.
Assinado,
Nassif, moço bonito.
Fora dos títulos
Estava eu um dia lá no meu grupo escolar, no horário do recreio. Levei comigo o meu violão. Procedimento corriqueiro, outros rapazes também o levavam. Não o meu, lógico. Cada um que levasse o seu, oras.
Por um belo acaso do tal do destino estávamos eu e mais dois trutas juntos, tocando algumas músicas do Led Zeppelin. Além de mim estavam também o Adamstor, vulgo Cabrobró, e o Manhães (não me lembro agora qual o seu prenome) batucando um ritmo legal. Chegou um outro rapaz lá da escola que era nosso conhecido de vista. Não se fez de rogado e já veio cantando por cima da nossa sofrível melodia.
Esse rapaz era o pedro Augusto, mais conhecido como Pepe. Era um pouco mais novo do que nós (estávamos no terceiro ano do Científico. Ele, no primeiro), e apesar dos trejeitos meio afeminados, topamos de tocar com ele numa boa. Até porque, pra tocar led Zeppelin isso é até uma vantagem, um quê a mais de semelhança com a banda original.
Começamos então a ensaiar quase todos os dias, depois das aulas. Um dia no quartinho de um, um dia no quartinho de outro. E nos fins-de-semana íamos pra mansão (por ue não?) do nosso baterista, o Manhães. Sim, ele era membro da famosa família Manhães, a das drogarias. Sendo uma banda de jacarepaguá, estávamos mesmo predestinados a tocar covers.
A cada semana a evolução era sensível. Logo estávamos tocando igualzinho aos originais, quiçá superando em alguns momentos. Até mesmo em Kashmir, uma das músicas mais famosas da banda, mas uma péssima sugestão para nome de recinto para shows de rock.
Faltava agora escolher um nome para a tal banda. algum iluminado veio com a grande sacada, não me lembro quem agora. Chegou e proferiu tais palavras:
"Que tal a gente chamar a banda de Areia mijada?"
"Como é que é??? Mas que safadeza, que pouca vergonha!! Que absurdo!! Mas por que esse nome?"
"Ué, não tem ou tinha aquela banda cover dos Beatles, o Terra Molhada? Lembrei-me desse nome e pensei em Areia Mijada, que é também uma homenagem à face do Robert Plant dos dias atuais"
Isso sem falar na voz de velho, claro.
Por um belo acaso do tal do destino estávamos eu e mais dois trutas juntos, tocando algumas músicas do Led Zeppelin. Além de mim estavam também o Adamstor, vulgo Cabrobró, e o Manhães (não me lembro agora qual o seu prenome) batucando um ritmo legal. Chegou um outro rapaz lá da escola que era nosso conhecido de vista. Não se fez de rogado e já veio cantando por cima da nossa sofrível melodia.
Esse rapaz era o pedro Augusto, mais conhecido como Pepe. Era um pouco mais novo do que nós (estávamos no terceiro ano do Científico. Ele, no primeiro), e apesar dos trejeitos meio afeminados, topamos de tocar com ele numa boa. Até porque, pra tocar led Zeppelin isso é até uma vantagem, um quê a mais de semelhança com a banda original.
Começamos então a ensaiar quase todos os dias, depois das aulas. Um dia no quartinho de um, um dia no quartinho de outro. E nos fins-de-semana íamos pra mansão (por ue não?) do nosso baterista, o Manhães. Sim, ele era membro da famosa família Manhães, a das drogarias. Sendo uma banda de jacarepaguá, estávamos mesmo predestinados a tocar covers.
A cada semana a evolução era sensível. Logo estávamos tocando igualzinho aos originais, quiçá superando em alguns momentos. Até mesmo em Kashmir, uma das músicas mais famosas da banda, mas uma péssima sugestão para nome de recinto para shows de rock.
Faltava agora escolher um nome para a tal banda. algum iluminado veio com a grande sacada, não me lembro quem agora. Chegou e proferiu tais palavras:
"Que tal a gente chamar a banda de Areia mijada?"
"Como é que é??? Mas que safadeza, que pouca vergonha!! Que absurdo!! Mas por que esse nome?"
"Ué, não tem ou tinha aquela banda cover dos Beatles, o Terra Molhada? Lembrei-me desse nome e pensei em Areia Mijada, que é também uma homenagem à face do Robert Plant dos dias atuais"
Isso sem falar na voz de velho, claro.
sábado, 25 de abril de 2009
filosofia ordinária
Sinto-me devidamente habilitado para tratar deste assunto aqui agora, enquanto autoridade máxima no que diz respeito ao bome velho rock and roll.
As pessoas me perguntam: por que insistir em reavivar a chama do rock and roll setentista? Vale a pena tocá-lo de forma cuspida e escarrada em pleno ano de 2009, mesmo correndo o risco de que as músicas fiquem muito parecidas entre si? e eu respondo que com certeza vale. E a quem indaga-me sobre esse assunto faço questão de explicar.
Foi durante os mil novecentos e setentas (como dizem os norte-americanos), especialmente na sua primeira metade (o período englobado entre primeiro de janeiro de mil novecentos e setenta e um e trinta e um de dezembro de mil novecentos e setenta e cinco) que o rock and roll chegou aos seus extremos no que tem de mais importante. Por exemplo, foi nesse período que o fanfarrão foi mais fanfarrão, o pesado foi mais pesado e o sério foi mais sério. Não vamos confundir seriedade com a melancolia e a pose de "Ah, sou mais triste até mesmo do que uma cabra!" do chamado grunge dos mil novecentos e noventas, e que deixaram filhotes e defensores ferrenhos até os dias de hoje, acredite se quiser.
Afinal, como bem disse um amigo meu: se for para espelhar-se e/ou copiar o som de uma década, que seja da década de setenta.
Mas, fazer o que, né? Tem gente que não gosta nem mesmo de Pink Floyd. Tem gente que despreza e faz pouco caso de bastiões como AC/DC e Slade. Tem gente que acha ruim a sonoridade das baterias nos discos gravados nesse período (acredite se quiser). E, pra fechar com chave de ouro, tem gente que prefere o Iron Maiden com o Bruce Dickinson nos vocais principais ao Jairo Almeida com o Paul D'Ianno. E os mais radicais que preferem a fase com o Blaize Balley.
As pessoas me perguntam: por que insistir em reavivar a chama do rock and roll setentista? Vale a pena tocá-lo de forma cuspida e escarrada em pleno ano de 2009, mesmo correndo o risco de que as músicas fiquem muito parecidas entre si? e eu respondo que com certeza vale. E a quem indaga-me sobre esse assunto faço questão de explicar.
Foi durante os mil novecentos e setentas (como dizem os norte-americanos), especialmente na sua primeira metade (o período englobado entre primeiro de janeiro de mil novecentos e setenta e um e trinta e um de dezembro de mil novecentos e setenta e cinco) que o rock and roll chegou aos seus extremos no que tem de mais importante. Por exemplo, foi nesse período que o fanfarrão foi mais fanfarrão, o pesado foi mais pesado e o sério foi mais sério. Não vamos confundir seriedade com a melancolia e a pose de "Ah, sou mais triste até mesmo do que uma cabra!" do chamado grunge dos mil novecentos e noventas, e que deixaram filhotes e defensores ferrenhos até os dias de hoje, acredite se quiser.
Afinal, como bem disse um amigo meu: se for para espelhar-se e/ou copiar o som de uma década, que seja da década de setenta.
Mas, fazer o que, né? Tem gente que não gosta nem mesmo de Pink Floyd. Tem gente que despreza e faz pouco caso de bastiões como AC/DC e Slade. Tem gente que acha ruim a sonoridade das baterias nos discos gravados nesse período (acredite se quiser). E, pra fechar com chave de ouro, tem gente que prefere o Iron Maiden com o Bruce Dickinson nos vocais principais ao Jairo Almeida com o Paul D'Ianno. E os mais radicais que preferem a fase com o Blaize Balley.
terça-feira, 21 de abril de 2009
dodô do peitinho
Não cresci em Gotham City, mas aos quinze anos eu ia e voltava sozinho da Tijuca à nite, onde eu fiz o meu Científico, como era chamado na época.
Chegava eu em casa geralmente entre onze e trinta e meia-noite. Era chegar em casa, servir-me da refeição norturna ora fria ora requentada pela minha pessoa (quando eu estava com um pouco mais de disposição) e sentar-me à frente do televisor cheio de estática (era pré-TV a cabo) para ver o Jô Soares Onze e Meia no Sistema Brasileiro de Televisão.
Olhando agora para trás, com a reconfortante distância do tempo, fico a questionar o que poderia me causar maior desgosto: chegar em casa tão tarde, comer a comida requentada ou bóia fria, ou então deparar-me com José Eugênio Soares na TV cheia de estática e de estatísticas.
Só seria eu livre se saísse de Gotham City, caso eu tivesse nascido e sido criado lá?
Chegava eu em casa geralmente entre onze e trinta e meia-noite. Era chegar em casa, servir-me da refeição norturna ora fria ora requentada pela minha pessoa (quando eu estava com um pouco mais de disposição) e sentar-me à frente do televisor cheio de estática (era pré-TV a cabo) para ver o Jô Soares Onze e Meia no Sistema Brasileiro de Televisão.
Olhando agora para trás, com a reconfortante distância do tempo, fico a questionar o que poderia me causar maior desgosto: chegar em casa tão tarde, comer a comida requentada ou bóia fria, ou então deparar-me com José Eugênio Soares na TV cheia de estática e de estatísticas.
Só seria eu livre se saísse de Gotham City, caso eu tivesse nascido e sido criado lá?
soleiras
É a temporada do Leão. O Leão tá na moda, e todo mundo tá com medo do Leão.
E eu não estou a falar do Leão metrossexual, muito menos do Leão da Metro Goldwin Meyer. Estou a falar sobre o Leão financeiro. Aquele do qual o George harrison não gostava nem um pouco.
Esse Leão surpreender-se-ia com João Monetário, ao saber que esse chega mais rápido saindo da Tijuca para jacarepaguá quando vai de 455 até o bairro de Goldwin Meyer e de lá pega o 691 do que quando anda até Monday Square e pega o famigerado 601.
E eu não estou a falar do Leão metrossexual, muito menos do Leão da Metro Goldwin Meyer. Estou a falar sobre o Leão financeiro. Aquele do qual o George harrison não gostava nem um pouco.
Esse Leão surpreender-se-ia com João Monetário, ao saber que esse chega mais rápido saindo da Tijuca para jacarepaguá quando vai de 455 até o bairro de Goldwin Meyer e de lá pega o 691 do que quando anda até Monday Square e pega o famigerado 601.
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