sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

viseiras de fogo

Imagine você a seguinte situação:

Anos 80. Franceso Buarq, de shortinho silze, só tem dois cruzeiros na pochete, e não sabe se com essa dinheirama compra uma fita cassete dos Engenheiros do Hawaii, um compacto do RPM, ou um sanduíche de queijo.

Certamente, munida de uma saraivada de preconceitos, a maioria dirá que a melhor escolha de Chiquitito seria ir pela terceira bifurcação. E completariam assim essa lina de raciocínio:

"Ah, sim, e com uma talagada generosa de manteiga. E esquentado na chapa, se possível. Se não for pedir muito, gostaria de complementar o meu banquete com um copo abarrotadinho de refresco de frutas e como sobremesa um bem servido porrão de doce..."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

a moderneira

Assim como o pra lá de ido poetinha Carlos Dimõ de Andrade demonstrou o seu aval intelectual ao então nascente (aqui no Brasil, aos olhos da grande mídia) movimento punk lá pelas plagas de final dos anos 70 / início da década de oitenta, Francesco Buarq d'Ollaynez Morelembaum III (sim, ele mesmo, o Chiquinho) levantou aos quatro ventos a bandeira do movimento House e da música dance de uma forma geral lá pelo finalzinho dos anos 80, mais exatamente em meados de 1990.

O que pouca gente sabe (ou pelo menos demonstra ignorar, por conveniência ou não, vai saber...) é que antes mesmo de gravar o divisor de águas de sua carreira, o CD Paratodos & Zé Trovão, a volta de Tutti-Frutti, Chiquinho teve discussões mais que acaloradas com o pessoal da gravadora RGE, pois ele queria porque queria lançar o seu próprio disco de música dance, seguindo as tendências mais modernas do período.

Nessa época era fácil encontrar o meu, o seu, o nosso Chiquinho até altas horas da madrugada na boite Help! cheirando até ficar azul e balançando ininterruptamente o seu corpinho delgado ao som do mais infernal dos chacunduns. Foi nessa época em que o recém-desquitado Chiquinho fez a festa dos baluartes da imprensa marrom, com pérolas como essa: " Bicho, o House é a nova pipoca da juventude, e eu sou extremamente jovem! É música pra ficar doidããã~~aããão..."

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

magnésio 68

agora, meninos e meninos, sentem-se e prestem muita atenção, pois contarei para vocês a história do vietnã.
foi bem assim:

o Vietnã foi descoberto em 1963 pelos americanos. esses já chegaram mandando balas e granadas pra cima dos nativos. a invasão começou pelo sul do país, onde a população tinha fama de ser mais dócil e volúvel. tudo isso o exército americano já sabia graças a informantes vindos de outros povos de olhos puxados.
como todo bom colonizador, os gringos impuseram a todo custo as suas crenças, seus hábitos, e, principalmente, a sua língua enrolada. os vietnamitas foram forçados a botar whiskey na feijoada e a tirar o seu samba das paradas. everybody! do you like?
não demorou muito tempo para que houvesse uma forte reação negativa a essa colonização. Afinal, não estávamos mais nos séculos XV e XVI, época das grandes colonizações, das conquistas ultramarinas. tomar uma atitude dessas em pleno século XX era um perigo. Mesmo dentro dos próprios estados unidos da vila isabel essa reação era fortíssima.
a garotada mutcho loca e prafrentex deixou o cabelo crescer, trocou o 752 da vulcabrás por sandálias samoa e / ou rider. a moda agora era ser contra o vietnã. vamos acabar logo com isso, bicho. deixa esse tal de vietnã pra lá. pra que ficar transando essa violência toda? e assim estava armado o circo.
circo é pouco. uma molecada vanessa da mata demais, muito... bom, chega de cita rnomes, pois senão vai ser mais briga ainda que eu vou comprar. pra bom entendendor, meia palavra basta. quem tiver que entender, entendeu. quem não precisar entender, é só continuar lendo e acompanhando a estorinha. que nem naquele filme, o veredicto.
tamanha foi a pressão que em 1975 acabou o vietnã. foi mais ou menos uma década depois disso que acabou o japão também.

domingo, 4 de janeiro de 2009

8

Alguém pode me explicar qual é a graça de feriados como o Sábado de Aleluia e o Domingo de Ramos? Não seria bem melhor se fossem, por exemplo, segunda-feira de Aleluia e terça-feira de Ramos? Especialmente se fossem um dia seguido do outro... Já pensaram? Hein? Hein?

Discordo completamente do viadinho lá do Caio Blat, que foi num programa de tv reclamar dizendo que temos muitos feriados. Ledo engano, jovem rapazinho afeminado da Zona Suda. Eu acho que tem até muito pouco.

E eu tenho certeza que muitos compartilham da mesma opinião que eu. Tirando é claro, gente da sua laia. Um chico buarki da vida, por exemplo...

sábado, 3 de janeiro de 2009

timbrado & circunflexos

está incrivelmente quente aqui hoje, incrivelmente quente aqui. ou, em português castiço, não dá nem para acreditar em toda esta quantidade de calor. não está dando nem para usar o tradicional 'jeans e camiseta'. infelizmente, temos que apelar para o shortinho. um verdadeiro retrocesso. não tem como não me sentir como se estivesse voltando aos anos oitenta. só falta agora usar uma viseira com o intuito de proteger a vista do sol, e/ ou fazer um corte de cabelo asa delta, para refrescar a cuca.

isso me faz parar pra pensar: quem lucra com todo esse hype? você? eu com certeza não ganho nem um dólar furado com essa coisa toda. já me sinto embaraçado de ter que usar o shortinho, pois sempre aparece um engraçadinho que fica insinuando de que eu estou fazendo propaganda desse re-modismo. rapaz, se isso já era constrangedor naquela época, imagina hoje...

hoje a inspiração não bateu à minha porta. muito menos a piração. essa eu dispenso. não quero ser o tipo da pessoa que sai à rua e os outros ficam cochichando: 'tá vendo aquele cara ali? eu o vi ontem no super pop. é doidinho!'. ao que a outra pessoa responde: 'é, ele foi no jô soares também, e foi o jurado da dança dos famosos no domingo passado'. ' já viu a imitação que fizeram dele no Pânico? igualzinho'. extravaganza for export não é comigo. não tenho vocação nem para carmem miranda nem para ricky martin, nem muito menos quero bancar o gerald thomas e ficar cumprimentando todo mundo com selinho. 'esquisitices' da zona sul carioca, dar o rabo em direção ao cristo redentor assim como os muçulmanos fazem as suas orações virados em direção a meca. isso não é vida para mim. se é vida para você aí de shortinho verde, então vai te catar. queres ver e ser visto? mais ser visto do que ver? quer transformar as boates do momento em um espelho gigantesco para que faças a sua apoteose? então segue o teu caminho e vai! quem mandou não nascer em londres ou em ibiza?

quem inventou o trabalho não só não tinha mais o que fazer como merecia ser surrado em praça pública. merecia ser apedrejado por vários. e a sua invenção teria que ser abolida para sempre. imagina. por que não podemos receber para simplesmente repousar sob a sombra de um jatobá, ao sabor da brisa primaveril? qual é o problema de levar a vida na flauta? por que as pessoas hostilizam tanto aqueles que se dedicam à mais harmoniosa vadiagem? quer dizer, há sempre as excessões, né? tem aqueles que não fazem nada para agradar a deus e no entanto são altamente reverenciados. por exemplo, do chiquinho scarpa ninguém fala nada, né?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

e você? pergunto mesmo. não reclamou de que se sentia excluído nas discussões do pessoal do clube? estavas até ameaçando cancelar a sua inscrição, deixar de ser sócio. então, pronto. está feita a sua vontade. agora o microfone é seu. vamos lá, pode falar tudo o que você estava querendo falar ao longo de todo esse tempo. não hesite. veja como nós somos democráticos, ao contrário das mentiras que você espalhou por aí a respeito da nossa política. vamos provar que você estava mais que errado. mas agora você vai ter que falar, e falar tudo mesmo. não adianta vir com essa estória de que agora já era, que não adianta mais levantar esses tópicos. ou agora você quer virar o tabuleiro, e se denominar o dono da verdade absoluta? logo você, que proclamava aos quatro ventos ser um grande amante da liberdade... agora veja você... antes mesmo de você abrir a boca eu já consigo prever como vai ser o seu discurso. vai enchê-lo de palavras como "fotocópia" e "abreugrafia" só pra mostrar que sabe falar difícil, que é uma verdadeira fera do português. e, sinceramente? do fundo do coração? posso te dizer? eu acho isso de uma vaidade absurda. é uma verdadeira 'melancia no pescoço' verbal, ou seja, algo que você está fazendo com o intuito único de aparecer, chamar a atenção, relevar-se como o grande exibicionista que você é, sempre foi e sempre será. se você fosse para os estados unidos seria humilhado. voltaria com o rabo entre as pernas usando esse teu discurso a la 'the book is on the table, everybody is on the table'. é brincadeira... cat, dog, mouse a esta altura do campeonato? eu realmente não sei quem é pior: você, com toda essa papagaiada, ou esse povinho que fica te endeusando, elevando você à categoria de ' o grande formador de opinião', o mentor. o fodão, como diz o populacho. a humildade passou longe de você. eu fico tentando imaginar quais os valores que lhe foram transmitidos (e também os que deixaram de sê-lo) no seu lar, durante a formação do seu (raso, mas muito raso) caráter. eu fico tentando imaginar quem foram os seus grandes modelos de conduta. essa cafagestagem você puxou do seu pai ou da sua mãe? se não foi de nenhum dos dois, eu fico com pena deles, ao constatarem o monstrinho que estavam abrigando no seu próprio lar. será que eles mereciam um castigo desses? é maldade demais para um casal tão distinto.

a soda

eu fiquei com pena dele ao ver a cena. como não ficar?