está incrivelmente quente aqui hoje, incrivelmente quente aqui. ou, em português castiço, não dá nem para acreditar em toda esta quantidade de calor. não está dando nem para usar o tradicional 'jeans e camiseta'. infelizmente, temos que apelar para o shortinho. um verdadeiro retrocesso. não tem como não me sentir como se estivesse voltando aos anos oitenta. só falta agora usar uma viseira com o intuito de proteger a vista do sol, e/ ou fazer um corte de cabelo asa delta, para refrescar a cuca.
isso me faz parar pra pensar: quem lucra com todo esse hype? você? eu com certeza não ganho nem um dólar furado com essa coisa toda. já me sinto embaraçado de ter que usar o shortinho, pois sempre aparece um engraçadinho que fica insinuando de que eu estou fazendo propaganda desse re-modismo. rapaz, se isso já era constrangedor naquela época, imagina hoje...
hoje a inspiração não bateu à minha porta. muito menos a piração. essa eu dispenso. não quero ser o tipo da pessoa que sai à rua e os outros ficam cochichando: 'tá vendo aquele cara ali? eu o vi ontem no super pop. é doidinho!'. ao que a outra pessoa responde: 'é, ele foi no jô soares também, e foi o jurado da dança dos famosos no domingo passado'. ' já viu a imitação que fizeram dele no Pânico? igualzinho'. extravaganza for export não é comigo. não tenho vocação nem para carmem miranda nem para ricky martin, nem muito menos quero bancar o gerald thomas e ficar cumprimentando todo mundo com selinho. 'esquisitices' da zona sul carioca, dar o rabo em direção ao cristo redentor assim como os muçulmanos fazem as suas orações virados em direção a meca. isso não é vida para mim. se é vida para você aí de shortinho verde, então vai te catar. queres ver e ser visto? mais ser visto do que ver? quer transformar as boates do momento em um espelho gigantesco para que faças a sua apoteose? então segue o teu caminho e vai! quem mandou não nascer em londres ou em ibiza?
quem inventou o trabalho não só não tinha mais o que fazer como merecia ser surrado em praça pública. merecia ser apedrejado por vários. e a sua invenção teria que ser abolida para sempre. imagina. por que não podemos receber para simplesmente repousar sob a sombra de um jatobá, ao sabor da brisa primaveril? qual é o problema de levar a vida na flauta? por que as pessoas hostilizam tanto aqueles que se dedicam à mais harmoniosa vadiagem? quer dizer, há sempre as excessões, né? tem aqueles que não fazem nada para agradar a deus e no entanto são altamente reverenciados. por exemplo, do chiquinho scarpa ninguém fala nada, né?
sábado, 3 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
e você? pergunto mesmo. não reclamou de que se sentia excluído nas discussões do pessoal do clube? estavas até ameaçando cancelar a sua inscrição, deixar de ser sócio. então, pronto. está feita a sua vontade. agora o microfone é seu. vamos lá, pode falar tudo o que você estava querendo falar ao longo de todo esse tempo. não hesite. veja como nós somos democráticos, ao contrário das mentiras que você espalhou por aí a respeito da nossa política. vamos provar que você estava mais que errado. mas agora você vai ter que falar, e falar tudo mesmo. não adianta vir com essa estória de que agora já era, que não adianta mais levantar esses tópicos. ou agora você quer virar o tabuleiro, e se denominar o dono da verdade absoluta? logo você, que proclamava aos quatro ventos ser um grande amante da liberdade... agora veja você... antes mesmo de você abrir a boca eu já consigo prever como vai ser o seu discurso. vai enchê-lo de palavras como "fotocópia" e "abreugrafia" só pra mostrar que sabe falar difícil, que é uma verdadeira fera do português. e, sinceramente? do fundo do coração? posso te dizer? eu acho isso de uma vaidade absurda. é uma verdadeira 'melancia no pescoço' verbal, ou seja, algo que você está fazendo com o intuito único de aparecer, chamar a atenção, relevar-se como o grande exibicionista que você é, sempre foi e sempre será. se você fosse para os estados unidos seria humilhado. voltaria com o rabo entre as pernas usando esse teu discurso a la 'the book is on the table, everybody is on the table'. é brincadeira... cat, dog, mouse a esta altura do campeonato? eu realmente não sei quem é pior: você, com toda essa papagaiada, ou esse povinho que fica te endeusando, elevando você à categoria de ' o grande formador de opinião', o mentor. o fodão, como diz o populacho. a humildade passou longe de você. eu fico tentando imaginar quais os valores que lhe foram transmitidos (e também os que deixaram de sê-lo) no seu lar, durante a formação do seu (raso, mas muito raso) caráter. eu fico tentando imaginar quem foram os seus grandes modelos de conduta. essa cafagestagem você puxou do seu pai ou da sua mãe? se não foi de nenhum dos dois, eu fico com pena deles, ao constatarem o monstrinho que estavam abrigando no seu próprio lar. será que eles mereciam um castigo desses? é maldade demais para um casal tão distinto.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
genipapos perdidos
falei das flores. dos gerânios, das dormideiras, das bromélias, e de muitas outras. e não tem como falar de flores sem citar as coroas de flores. aquelas mesmas que se bota em cima dos caixões. é engraçado isso. ela (sim, ela mesma) atormentou a cabeça do coitado sem parar durante os últimos anos de vida dele, e na hora do enterro fez questão de presenteá-lo com a maior coroa de flores de todo o cemitério. ouso dizer que foi o presente mais precioso que ela deu pra ele. eu ia dizer "presentes que ele recebeu em vida", mas logo vi que essa sentença não seria correta neste contexto. sim, pra vocês verem, a coroa de flores (que não era nem aqueeela coroa...) foi o presente mais precioso, sem sombra de dúvida. Os dois filhos? tsc, tsc. fica difícil saber qual dos dois deixava o velho pai mais desgostoso: o menino ou a menina. a menina entrou de cabeça nessa onda de igualdade dos sexos, moda unissex e coisa e tal, e se veste como se fosse um fazendeiro. macacão jeans, galochas, e às vezes não usa nem brinco nem batom. o filho é aquilo. o extremo oposto, mas igualmente fervoroso seguidor da moda unissex. foi só sair da infância e adentrar no maravilhoso mundo da adolescência que o menino resolveu virar um curtidor de moda. e essa onda de curtir a moda e transar as manias do momento inclui flertar com o homossexualismo, a depravação gratuita e o consumo abusivo de substâncias alteradoras do estado de consciência. agora vê se um homem honrado, honesto e trabalhador como ele era merece um sofrimento desses? foi uma rasteira muito bem dada pelo destino. um golpe traiçoeiro dos mais baixos. infelizmente não tive acesso ao seu laudo, mas garanto que a causa mortis deve ser algo como "dotô, por favô, mi ajude-me. o meu coração zin já não tem mais aquela resistência dos 19 anos. tem certas coisas que eu sou obrigado a ver no sieo do meu próprio lar que benza deus. o ser humano está sempre falando na busca pelo progresso, para resolver os problemas que afligem a humanidade...mas que modernidade é essa que nos dá de presente visões e sons que parecem ilustrar o fim dos dias? antes que o mundo todo se acabe ou se transforme em um local totalmente inabitável para um humilde servo do nosso senhor jesus cristo, eu imploro: pare o bonde da vida agora, pois eu quero e preciso desesperadamente descer".
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
origami do sul
ele é o primeiro a chegar, e o último a sair. todo dia tem que ouvir a mesma piadinha besta: "dormiu aqui?". e olha que ele nem morava ao lado. pra chegar ele tinha que pegar dois ônibus, quase duas horas de sufoco, e invariavelmente era assim: o primeiro ônibus ele pegava já entupido de gente, mal dava pra ele entrar. no segundo há de se dizer que a coisa ficava mais tranqüila, pois ele pegava no ponto final. dessa forma, ele podia até escolher o acento. em compensação era o trecho do trajeto que tinha o trânsito mais enjoadinho. e ele nem gostava do serviço, pra dizer a verdade. estava lá só pelo arame mesmo. era um pacifista, não gostava nem um pouco dessa estória de tiro, pontaria, revólver... na ocasião do plebiscito de 2005 ele voltou pelo desarmamento, e ainda fez campanha junto aos amigos e aos vizinhos de condomínio. nesse dia lá foi ele e o seu vizinho, que não parava de reclamar da proibição de venda de bebidas alcoólicas. parecia chicago nos anos quarenta, como diz aquela canção popular. futebol? futebol para ele era sinônimo de violência. "é só botar no noticiário que logo vocês vêem que eu tenho razão", ele não se cansava de dizer. "é jogador baixando cacetada no juiz, é torcedor invadindo o campo e dando tesoura voadora nos outros. é torcida contra torcida... às vezes há brigas até entre torcidas do mesmo time. você não vê essa mesma violência entre os jogadores de gamão, de víspora, de ludo, resta um...". sim, ele era um grande entusiasta dos jogos de tabuleiro. damas e xadrez ele não transava muito. o primeiro ele achava chato mesmo, e o segundo ele nunca se interessou muito em aprender. baralho também não lhe enchia os olhos. "é jogo de malandro", ele dizia. "é o primeiro passo pra depois comprar umas garrafas de destilados, um cigarrinho de maconha, uma pistola, e assim sucessivamente". os amigos o consideravam exagerado, um antiquado mesmo. cheio de grilos na cuca, não transava isso, não transava aquilo... mas se você estava em apuros e precisava de uma ajuda, sabia logo com quem podia contar. até que um dia o improvável aconteceu: depois de muitas tentativas frustradas, o cupido finalmente acertou uma flecha em péricles. péricles é um rapaz cheio de energia e que se amarra em curtir altos agitos, e que acha que a vida é pra ser vivida. não se estressa com nada, só com o seu próprio nome, do qual nunca foi muito fã. prefere que o chamem de pepê, tal qual um de seus maiores ídolos. nos fins de semana, quando não estava isolado da civilização transando o corpo e travando um contato mais intenso com a mãe natureza, se transformava no maestro da night e, como se diz por aí, 'pegava todas'. não era muito adepto do relacionamento sério. "amores vêm e vão, são aves de verão", ele costumava dizer, repetindo os versos de uma de suas canções favoritas da nossa MPB. MPB sim, e pra mim isso é mais popular do que as intelectualoidices do caetano ou o zeca baleiro, nem um pouco popular, diga-se de passagem, falando sobre stephen fry. como se o popular que assiste ao programa do faustão emendado com o jogo de futebol novamente emendado com o faustão, e que torce pelo seu ator favorito na dança dos famosos e pipoca de rir com as videocassetadas, estivesse muito interessado em stephen fry ou em saber que na hora do lunch ele vai de ferry boat. haja paciência, já dizia humberto gessinger.
sábado, 27 de dezembro de 2008
garoa do terror
Desde que eu sou um guri mínimo, fininho que nem um mosquito, eu ouço falar sobre o tal pulo tecnológico da China. Uma modernidade sem precedentes. Tecnologia beirando os limites da imaginação humana. E tinha um moleque chato que cismava que os baluartes da tecnologia e desenvolvimento eram os portugueses. Puro bairrismo babaca, só porque a familia dele por parte de pai era composta basicamente formada por gente da nacionalidade anteriormente citada. Ou seria a família por parte de mão que... ah, que me importa? Como torta?
Passaram-se quase vinte e cinco anos, e os chineses não dominaram o mundo, como todos nós achávamos que fosse acontecer. Faz até mais sentido dizer que a Coca-cola já tomou conta da China.
E a nossa cidade? Cada vez mais violenta...
Passaram-se quase vinte e cinco anos, e os chineses não dominaram o mundo, como todos nós achávamos que fosse acontecer. Faz até mais sentido dizer que a Coca-cola já tomou conta da China.
E a nossa cidade? Cada vez mais violenta...
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Japonês folclórico
Foi eleito o novo prefeitinho da Zona Suda carioca, Francesco Bouarc d'Ollaynez Morelembaum III, o Chiquitito.
Passando por cima de tudo e de todos, a primeira providência que ele tomou foi a de iniciar novas construções do metrô. Só que, vejam só como é a megalomania de determinados espécimes da raça humana: uma megacomplexa linha de metrô ligando a capital carioca às principais capitais da América do Suda. Quando questionado sobre o porquê dessa obra faraônica, Chiquitito respondeu: "Ah, bicho. Sabe como é, né? América do Suda, Zona Suda...". Ui. Uma integração até a estação Palermo, por favor...
Agora, estação pro Pechincha eles não fazem. Mas se eu quiser ir pra Caracas é só fazer uma baldeação quando chegar à Pavuna. Disse Ciquinho:
"É claro que com o avião fica bem mais rápido chegar a Buenos Aires. 3 horas, nada mais. Mas em compensação de metrõ você fará essa viagem com um preço mais de 100 vezes barato."
O povo aplaudia até as mãos ficarem encarnadas e em brasas. Até aí, tudo bem. Ele poderia nesse momento revelar que a constituição óssea das suas vias teve que ser substituída por platina que as pessoas aplaudiriam da mesma forma.
Do outro lado da rua, sentados no meio fio, estavam Soró, o ceguinho, e seu fiel companheiro, o jovem Jiló. Soró, com ouvidos atentos, pergunta para o seu jovem ajudante:
"Jiló, é um ônibus ou um caminhão que está a passar?"
"É um caminhão, Soró."
"Ah, tá. Hoje em dia é difícil distinguir o som de um e de outro."
Passando por cima de tudo e de todos, a primeira providência que ele tomou foi a de iniciar novas construções do metrô. Só que, vejam só como é a megalomania de determinados espécimes da raça humana: uma megacomplexa linha de metrô ligando a capital carioca às principais capitais da América do Suda. Quando questionado sobre o porquê dessa obra faraônica, Chiquitito respondeu: "Ah, bicho. Sabe como é, né? América do Suda, Zona Suda...". Ui. Uma integração até a estação Palermo, por favor...
Agora, estação pro Pechincha eles não fazem. Mas se eu quiser ir pra Caracas é só fazer uma baldeação quando chegar à Pavuna. Disse Ciquinho:
"É claro que com o avião fica bem mais rápido chegar a Buenos Aires. 3 horas, nada mais. Mas em compensação de metrõ você fará essa viagem com um preço mais de 100 vezes barato."
O povo aplaudia até as mãos ficarem encarnadas e em brasas. Até aí, tudo bem. Ele poderia nesse momento revelar que a constituição óssea das suas vias teve que ser substituída por platina que as pessoas aplaudiriam da mesma forma.
Do outro lado da rua, sentados no meio fio, estavam Soró, o ceguinho, e seu fiel companheiro, o jovem Jiló. Soró, com ouvidos atentos, pergunta para o seu jovem ajudante:
"Jiló, é um ônibus ou um caminhão que está a passar?"
"É um caminhão, Soró."
"Ah, tá. Hoje em dia é difícil distinguir o som de um e de outro."
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